Meu nome é Francisco Vera Manzanares, tenho 16 anos e sou ativista climático e defensor dos direitos humanos colombo-espanhol. Hoje gravo este vídeo para contribuir com uma das 30 ideias para o futuro da Revista de Pensamento Ibero-Americano para a nossa querida Ibero-América. Quando tinha 10 anos, fundei um movimento chamado Guardiões pela Vida, junto com outros colegas e amigos da escola da minha idade, para nos mobilizarmos e defendermos nosso direito de habitar um planeta limpo, saudável e digno.
No entanto, desde então percebi que muitas pessoas, cidadãos e cidadãs e, de modo geral, a população, mobilizam-se em favor da ação climática a partir de emoções tristes, da indignação, da raiva e do medo gerados pela incerteza em relação ao estado do nosso planeta, ao estado ecológico da nossa Terra. Foi por isso que passei a construir e venho desenvolvendo um conceito que convida à ação coletiva, à mobilização, não apenas pelo clima, mas, em termos mais amplos, pela vida: a ecoesperança. A ecoesperança como uma postura ética e política que nos permita mobilizar-nos e imaginar futuros alternativos à realidade atual.
E não enfrentamos apenas a maior ameaça existencial da nossa era, que é, sem dúvida, a mudança climática e a crise planetária de forma mais ampla. Ao mesmo tempo, precisamos enfrentar as desigualdades socioeconômicas que condicionam cada vez mais as estruturas sociais do nosso mundo, que também estão relacionadas à democracia, à concentração de poder, à transformação tecnológica e à digitalização do nosso tempo, assim como aos altos níveis de violência que estamos vivendo e dos quais, aliás, a Ibero-América não é um caso isolado nem uma exceção. Nesse contexto, muitas pessoas sentem que não há futuro.
De fato, tem-se repetido nos meios de comunicação e nas narrativas públicas que estamos vivendo uma crise da ausência de futuro, o que leva as pessoas a perderem a esperança. E, como sabemos, a esperança é o motor de toda ação, sem a qual não podemos transformar o mundo. Daí a importância de construirmos futuros alternativos, estimulando a imaginação, fortalecendo processos comunitários e de base e, além disso, trabalhando de forma coletiva, buscando consensos e procurando encontrar pontos em comum a partir das diferenças para avançarmos como sociedade diante de todos esses desafios.
A ecoesperança não nega a complexidade nem a magnitude dos desafios que enfrentamos; pelo contrário, utiliza essa força para motivar mais pessoas à ação, para que possamos exercer nossa cidadania e colocá-la a serviço da vida. Ela nos ajuda a compreender que, como cidadãos, mesmo sendo crianças e adolescentes, podemos, sem dúvida, contribuir e oferecer soluções para os desafios e dificuldades que o nosso mundo enfrenta.
A ecoesperança também se inspira na natureza como fundamento. Em uma época do Antropoceno marcada pelo individualismo e pelo egoísmo que caracterizam nossa sociedade, devemos nos reconectar justamente com esse espaço do qual viemos: a natureza. Uma natureza que nos ensina a nos agarrarmos à vida, que nos ensina a qualidade da resiliência e que nos inspira e motiva a adotá-la em nossa sociedade. Essa é uma sociedade mais forte, mais inclusiva, mais justa e, sem dúvida, mais solidária. A solidariedade é a implementação da justiça, dizia o bispo catalão Pere Casaldàliga, e acredito que esse é justamente o melhor exemplo de como, sendo solidários, podemos fundamentar um dos pilares da paz, que é precisamente a justiça.
Assim, para concluir esta mensagem, meu convite é à ecoesperança. Somos a geração da ecoesperança, somos uma geração que, sem dúvida, está cansada de ver a guerra e as crises, mas que, justamente por isso, se organiza, propõe e oferece uma alternativa para esta sociedade.






